Eu sou a raiz e a geração de Davi, a brilhante estrela da manhã

A afirmação de Jesus no livro do Apocalipse (22:16) é uma das declarações mais ricas e paradoxais das Escrituras. Em uma única frase, Ele se identifica simultaneamente como a origem humilde e terrena de uma linhagem real e como o esplendor celestial que anuncia o novo dia. Essa dualidade não é uma contradição, mas a chave para compreender a natureza única e insondável de Cristo que, como observaram pensadores de diferentes eras, permanece sem paralelo na história humana.

O paradoxo da Raiz e da Estrela captura a essência do mistério cristão. A raiz é oculta, subterrânea, fonte de nutrição e estabilidade. É o fundamento, o início humilde e muitas vezes ignorado. Jesus como “Raiz de Davi” afirma que Ele é a fonte e o cumprimento da promessa feita ao grande rei de Israel, antecedendo-o e sustentando-o. É uma afirmação de eternidade e de origem divina. Ao mesmo tempo, a “brilhante Estrela da Manhã” (Vênus) é o astro mais visível no crepúsculo, que anuncia com certeza a vitória da luz sobre a escuridão. É um símbolo de esperança, de reinado e de promessa futura. Em Cristo, o mais profundo (a raiz) e o mais elevado (a estrela) se encontram. O fundamento da criação e a glória da redenção são uma só pessoa.

Este caráter multifacetado e harmonioso é exatamente o que impede que Jesus seja uma “personalidade unidimensional”. Como bem observado, líderes unidimensionais — o profeta inflexível, o teólogo árido, o guerreiro implacável — naturalmente dividem opiniões. Atraem por um traço específico, mas repelem por sua falta de equilíbrio. Jesus, no entanto, transcende categorias. Ele é o único em quem severidade e misericórdia, autoridade e humildade, justiça e graça, não se contradizem, mas se complementam em perfeitamente. Ele repreende os hipócritas com fogo e acolhe os fracos com infinita ternura. Ele é o Leão de Judá e o Cordeiro de Deus. Essa completude é o que torna sua pessoa irresistivelmente atrativa para aqueles que O contemplam sem preconceitos. Nele, encontramos não um padrão parcial, mas a plenitude da humanidade como Deus a idealizou.

Napoleão Bonaparte, um estratego que compreendia o poder na sua forma mais bruta, reconheceu essa singularidade. Ele, que construiu um império sobre a força e viu sua glória se dissipar, identificou no império de Cristo algo radicalmente diferente: um reino fundado no amor, que, séculos depois, ainda comandava a lealdade suprema de milhões. A observação de Napoleão vai ao cerne da questão: Alexandre, César, Carlos Magno e eu fundamos impérios, mas em que baseamos as criações de nossos gênios? Na força. Somente Jesus Cristo fundou seu império no amor, e até hoje milhões de pessoas morreriam por Ele". (google.com).

H.G. Wells, partindo de uma perspectiva histórica e secular, chegou a uma conclusão semelhante. Para ele, Jesus não é apenas uma figura religiosa importante; Ele é “o próprio centro da história”. Isso significa que a narrativa humana, quer se aceite ou não sua divindade, não pode ser contada sem colocar o “professor sem um tostão de Nazaré” em posição central. Sua vida, seus ensinamentos e o impacto deles são o eixo em torno do qual os séculos giram. Isso confirma a afirmação do Apocalipse: Jesus é tanto a origem (a Raiz que fundamenta o sentido da história) quanto o seu ápice e destino (a Estrela que guia para o futuro).

E é precisamente na Cruz que todos esses paradoxos encontram sua expressão máxima e reconciliadora. A morte sacrificial de Cristo, como destacado em Romanos 5:8 e 1 João 2:2, é o evento que o distingue irrevogavelmente de qualquer outro fundador religioso ou líder moral. Buda ofereceu um caminho de iluminação; Maomé, uma lei; filósofos gregos, um sistema de pensamento. Mas apenas Jesus Cristo ofereceu a Si mesmo como sacrifício expiatório pelos pecados daqueles que O seguiam e dos que O rejeitavam. Ele morreu não por seus próprios erros, mas pelos do mundo inteiro.

Na Cruz, a Raiz desce à mais profunda escuridão da terra — a morte, a separação, o julgamento pelo pecado. E, ao ressuscitar, Ele surge como a definitiva Estrela da Manhã, anunciando o amanhecer de uma nova criação, a vitória eterna sobre a morte. A Cruz é onde a severidade de Deus contra o pecado e a ternura de Deus pelo pecador se encontram. É onde o Rei se torna Servo, o Pastor se torna Cordeiro, o Sacerdote se torna Sacrifício. É o ápice do amor, que demonstra sua profundidade não em palavras sentimentais, mas em um ato de entrega radical e voluntária.

Portanto, abraçar a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo, como proposto, não é simplesmente adotar uma nova filosofia. É ser transformado por um relacionamento com uma pessoa viva que é a própria encarnação da verdade, do amor e da graça. Ao estudá-Lo e imitá-Lo, o ser humano não é espremido em um molde rígido, mas é restaurado à imagem multifacetada e harmoniosa para a qual foi originalmente criado. Tornamo-nos mais compassivos e mais justos; mais humildes e mais corajosos; mais ligados à terra (como a raiz que serve) e mais voltados para o céu (como a estrela que reflete a luz).

Ao nos aproximarmos de Jesus – a Raiz que nos sustenta, a Descendência que cumpre as promessas, a Estrela que anuncia o amanhecer eterno –, encontramos transformação. Ele não nos repele; atrai, cura, perdoa e eleva. Olhar para Ele é tornar-se como Ele: severos com o pecado, gentis com os fracos; humildes como raiz, gloriosos como estrela.

Jesus, a Raiz e a Estrela, é a resposta à busca humana por um fundamento sólido e por uma esperança luminosa. Ele é, nas palavras de Napoleão, “extraordinário”. Hoje a nossa vida pode ser totalmente transformada ao abraçar Jesus e Seus ensinamentos. Ele não é apenas uma figura histórica; é o Vivo que diz: “Eu sou… a resplandecente estrela da manhã”. A noite deste mundo está avançada; o dia se aproxima (Romanos 13:12). Que venhamos a Ele, bebendo da água da vida que Ele oferece gratuitamente (Apocalipse 22:17).

Que essa afirmação de Jesus ecoe em nossos corações: Ele é a origem de tudo bom, o cumprimento de toda promessa, a luz que dissipa toda treva. Nele, encontramos o equilíbrio perfeito, a esperança eterna e o amor que conquista sem força. Jesus Cristo: nada mais diferente que raiz e estrela, mas unidas perfeitamente nEle – para nossa salvação e glória.

Amém! Glória a Jesus!