EU NÃO TOMO REMÉDIO
Jesus lhes respondeu: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Lucas 5:31
Não continue a beber somente água; tome também um pouco de Vinho, por causa do seu estômago e das suas frequentes enfermidades. 1 Timóteo 5:23
7E disse mais Isaías ao rei: “Tomai uma pasta de figos e pensai-a sobre a úlcera; em seguida, um emplastro foi aplicado às feridas; e ele ficou curado. 2 2Reis 20.7
Tendo em vista essas passagens acima comente, mil palavras, o fato de alguns cristãos deixarem de tomar remédio quando estão enfermos esperando por um milagre. Claro que Jesus cura através de milagres, como disse o profeta Isaías (53:5) e como podem sere lembradas as inúmeras coisas que Ele fez, mas de um modo geral Deus espera nossa participação com podemos ver em toda a Bíblia e Ele age quando acha conveniente.
Não querer tomar remédio, ou se cuidar, mesmo tendo possibilidade disso pode ser considerado tentar Deus, como disse Jesus para satanás “não tentarás o Senhor teu Deus” ( Mateus 4:7).
CHINÊS
A Fé e a Medicina: Uma Reflexão Bíblica sobre Cuidado e Providência
NÃO TOMO REMÉDIO
Passagens bíblicas oferecem uma visão multifacetada sobre a relação entre fé, enfermidade e tratamento. A afirmação "EU NÃO TOMO REMÉDIO" como postura religiosa merece uma análise cuidadosa à luz das Escrituras, equilibrando os aspectos sobrenaturais da fé com a responsabilidade humana no cuidado da saúde.
O Contexto Bíblico: Deus Utiliza Meios Naturais e Sobrenaturais
Na Bíblia, Deus utiliza meios naturais e sobrenaturais. Ela apresenta um Deus que opera tanto através de milagres quanto através de meios naturais. Em Lucas 5:31, Jesus diz o seguinte:… “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes”. Lucas 5:31. Jesus utiliza a metáfora do médico não para desvalorizar a medicina, mas para ilustrar sua missão espiritual. Curiosamente, ao fazer essa comparação, Ele legitima implicitamente a profissão médica como análogo válido de sua obra redentora.
Em 1 Timóteo 5:23, temos uma recomendação prática e medicinal do apóstolo Paulo a Timóteo: "Não continue a beber somente água; tome também um pouco de vinho, por causa do seu estômago e das suas frequentes enfermidades". Este é um claro exemplo bíblico de prescrição de um remédio natural para um problema de saúde específico. Paulo não sugere que Timóteo deva apenas orar e esperar por cura milagrosa, mas indica um tratamento concreto.
O relato de 2ºReis 20:7 é ainda mais explícito: Isaías recomenda um tratamento tópico específico (pasta de figos) para a úlcera do rei Ezequias. Deus poderia ter curado Ezequias instantaneamente (como de fato havia feito ao acrescentar 15 anos à sua vida), mas escolheu incluir um tratamento médico no processo. A cura veio de Deus, mas utilizou-se de um meio natural.
A questão central reside na tensão entre confiança no sobrenatural e responsabilidade humana. A Bíblia consistentemente apresenta um equilíbrio: Deus como fonte principal de cura: Isaías 53:5 afirma "pelas suas feridas fomos curados", apontando para Cristo como fonte de cura espiritual e, por extensão, física e a cooperação humana. Contudo, em toda a Escritura, vemos Deus esperando e utilizando a participação humana na Sua obra. Desde Noé construindo a arca (apesar de Deus poder salvá-lo de outras formas) até os discípulos pescando (apesar de Jesus poder multiplicar pães sem seus esforços), há um padrão de cooperação entre a providência divina e a ação humana.
Jesus, ao ser tentado no deserto, responde a Satanás: "Não tentarás o Senhor teu Deus" (Mateus 4:7). Tentar a Deus significa colocar-nos deliberadamente em situações de perigo desnecessário, exigindo que Ele intervenha milagrosamente. Recusar tratamento médico disponível quando se está doente pode configurar exatamente isso: uma exigência de que Deus aja sobrenaturalmente, desprezando os meios que Ele mesmo provê através da sabedoria médica.
A teologia reformada frequentemente enfatiza que Deus opera através de "meios secundários". A medicina, a ciência e o conhecimento humano são dons de Deus para a humanidade (Tiago 1:17). Recusar esses dons pode ser uma forma de ingratidão, como se rejeitássemos a provisão divina porque ela não vem embrulhada em fenômenos sobrenaturais.
A Bíblia apresenta diversos personagens que buscaram a Deus em meio à enfermidade sem abdicar de tratamentos disponíveis:
· O bom samaritano (Lucas 10:34) utiliza vinho (como antisséptico) e óleo (como suavizante) para tratar as feridas do homem assaltado.
· As recomendações de higiene no Antigo Testamento (Levítico) demonstram que Deus se importa com a saúde preventiva.
· Paulo recomenda a Timóteo não apenas oração, mas um remédio específico para seus problemas estomacais.
O texto inicial menciona corretamente que "Deus age quando acha conveniente". Isto é fundamental para nossa compreensão: os milagres, por definição, não são a norma, mas a exceção. Eles acontecem no tempo e modo de Deus, não como resposta automática à nossa fé ou como substituição para nossa responsabilidade.
A medicina como vocação divina. Há dias, vi um vídeo de uma mocinha de uns 12 anos mais ou menos de idade que era surda e, com o avanço da medicina, passou a ouvir. Foi emocionante ver as reações dela quando ouviu a voz da sua mãe pela primeira vez. Portanto, é impossível acreditar que isso não foi obra de Deus. Foi ele que também deu sabedoria aos homens para criarem por exemplos os óculos, e em muitos casos levar pessoas a passarem a enxergar. O nosso inimigo, satanás, só quer o nosso mal. Portanto, os profissionais de saúde exercem um ministério que reflete o caráter curador de Deus. É importante lembrar que Lucas, escritor de dois livros do novo testamento, era médico.
Orar pelos doentes e buscar tratamento médico não são ações mutuamente exclusivas, mas complementares. A soberania divina paira sobre todos os processos: Deus pode curar através de milagres, através da medicina, ou pode permitir que o sofrimento permaneça por razões que transcendem nossa compreensão. Veja o espinho na carne de Paulo (2 Coríntios 12:7-9). Cuidar de nossa saúde é parte da mordomia que temos sobre nossos corpos, que são "templo do Espírito Santo" (1 Coríntios 6:19-20). Assim, devemos zelar pelo que comemos, pelo que bebemos, por uma vida ativa no sentido de exercitarmos.
A postura bíblica parece evitar dois extremos: o fideísmo que rejeita qualquer meio material, e defende o uso somente do sobrenatural, da fé, somente a fé em oposição ao naturalismo que defende que somente a possibilidade de intervenção divina. Em vez disso, somos convidados a uma fé responsável que:
· Reconhece Deus como fonte de toda cura
· Agradece pelos meios que Ele provê (incluindo a medicina)
· Busca orientação divina nas decisões sobre tratamentos
· Submete-se à soberania divina quando os resultados não são os esperados
· Evita colocar Deus a prova exigindo milagres sob condições específicas, ou seja, não é porque confiamos em Deus já vamos sair de carro, por exemplo, em alta velocidade, ou mesmo sem cuidado conservação do carro.
Ore fervorosamente, busque a igreja para intercessão, mas use os meios que Deus providencia — isso honra o Criador que nos deu vida e inteligência para cuidar dela. A verdadeira fé não rejeita o médico; ela agradece a Deus por ele.
Como observou Corrie ten Boom: "A fé vê o invisível, crê no incrível e recebe o impossível." Mas essa mesma fé não nos isenta de utilizar os meios visíveis, críveis e possíveis que Deus colocou à nossa disposição. A verdadeira fé não é passiva, mas ativa; não ignora os recursos disponíveis, mas os utiliza com gratidão, sempre consciente de que toda cura, por qualquer meio que venha, é em última instância, um dom de Deus.
Glória a Deus. Amém!

