Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim (Ap 22:13)
Jesus é o início e o fim de todas as coisas. Nele tudo encontra propósito, direção e consumação.
A visão não é apenas para assombrar, mas para revelar. Cristo, como soberano do passado, presente e futuro, desvenda o plano de Deus. O propósito é confortar o povo perseguido, mostrando que, por pior que pareça a situação presente, o fim está em Suas mãos.
Deus é eterno, e desde a criação até a a consumação é Senhor sobre tudo: passado, presente e futuro. A ele pertencem a vitória final sobre o mal e o domínio sobre todas as coisas.
Apocalipse 1:1-8 também oferece uma reflexão profunda e inspiradora sobre a soberania de Cristo em meio ao caos e à perseguição. Essa passagem ilustra perfeitamente o ponto central: em um mundo em constante mudança e turbulência, Jesus Cristo é o nosso o ponto de equilíbrio imutável. Ele é o Alfa e o Ômega, a primeira e a última letra do alfabeto grego, significando o A e o Z de tudo o que existe – o Princípio e o Fim.
Nada fica de fora de Seu domínio. Toda a criação, toda jornada humana, e o próprio plano redentor começam e culminam nEle. Isso traz uma segurança imensa: nossa história não é um acidente cósmico, mas está sob o governo dAquele que é eterno.
No contexto do Apocalipse, essa declaração ganha ainda mais peso. João, exilado na ilha de Patmos por sua fé, enfrenta uma igreja perseguida pelo Império Romano, onde o terror e o mal parecem reinar. O livro do Apocalipse, classificado como literatura apocalíptica, é repleto de símbolos ocultos, visões de convulsão cósmica e intervenções divinas decisivas. Há um pessimismo profundo contrastado com a súbita revelação do poder de Deus. Diferente da literatura profética, que chama ao arrependimento imediato e enfatiza a liberdade humana, o apocalíptico destaca a soberania absoluta de Deus. Em meio à solidão e talvez dúvida de João, surge a visão majestosa do Filho do Homem (Apocalipse 1:12-16), com olhos como chamas de fogo, pés como bronze polido e voz como o rugido de muitas águas. João cai prostrado, mas ouve as palavras reconfortantes: “Não temas; eu sou o primeiro e o último, e o que vive; estive morto, mas eis que estou vivo para todo o sempre, e tenho as chaves da morte e do Hades” (Apocalipse 1:17-18).
Essa é a essência da fé cristã: Cristo não é apenas eterno, mas vitorioso sobre a morte. Ou seja, “Eu sou o Alfa e o Ômega” (repetido em Apocalipse 22:13) é uma afirmação insondável, coroando todas as declarações de Jesus. Ela aponta para duas grandes verdades: Jesus como o Princípio da vida e do amor, e como o Fim ou consumação da história.
Primeiro, Jesus é o Princípio da vida. Como João proclama no Evangelho: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus […] Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (João 1:1-4). Cristo é o Logos preexistente, o Cristo cósmico por meio de quem todas as coisas foram criadas (Colossenses 1:16-17). Não é mero profeta ou mestre; Ele é a origem da ordem criada e da nova vida em Deus. A cruz e a ressurreição estão intrinsecamente ligadas: Ele morreu para nos libertar do pecado (Isaías 53:5-6; Romanos 5:8), e ressuscitou para nos dar vida eterna (João 14:19: “Porque eu vivo, vós também vivereis”).
Jesus glorificado não esconde Suas marcas. A vitória sobre o mal foi conquistada através do sofrimento e da morte redentora. A ressurreição não é um evento do passado, mas um estado perpétuo: "estou vivo para todo o sempre". Ele é a fonte da vida eterna.
c) Seu Domínio Absoluto sobre o Mal e a Morte: " e tenho as chaves da morte e do inferno (Hades)".
As "chaves" simbolizam controle absoluto. A morte e o reino dos mortos (Hades) não têm autonomia. Elas são ferramentas sob o Seu comando. Isso significa:
- A vitória final sobre o mal já está assegurada. A batalha é real, mas o desfecho é certo.
- Ele decide quem é libertado da morte para a vida (ressurreição).
Além disso, Jesus é o Princípio do amor. Embora o Antigo Testamento revele o amor de Deus – como em Oséias 11:1-4 (“Eu os conduzi com cordas de bondade humana, com laços de amor”) e Miquéias 7:18-19 (Deus que “tem prazer na misericórdia”) –, é em Cristo que esse amor se revela plenamente. “Àquele que nos ama e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados” (Apocalipse 1:5-6). O sacrifício na cruz é o ápice da revelação divina: Deus não apenas perdoa, mas nos constitui como reino e sacerdotes, com acesso direto ao Pai (1 Pedro 2:9).
Por outro lado, Jesus é o Fim, a consumação da história. Isso nos leva à doutrina da Segunda Vinda. Os credos antigos – Niceno e Apostólico – afirmam que Cristo “há de vir outra vez com glória para julgar os vivos e os mortos”. Jesus veio primeiro em humilhação para redimir; voltará em glória para consumar (Mateus 24:30; Atos 1:11). Ninguém sabe o dia nem a hora (Mateus 24:36-42), e reduzir a Bíblia a um código profético é limitar sua mensagem ética e evangelística.
Vale o servarduas palavras-chave: vindicação e validação. A vindicação é o julgamento justo de Cristo (2 Coríntios 5:10; Mateus 25:31-46), determinando salvação ou condenação eterna. Mas a validação é o “Sim” de Deus em Cristo a todas as suas promessas (2 Coríntios 1:20), culminando em um novo céu e nova terra (Apocalipse 21:1-5), onde não haverá mais dor, morte ou separação – shalom completo.
Outros textos bíblicos reforçam essa visão. Em Isaías 44:6 e 48:12, Deus se declara “o Primeiro e o Último”, título que Jesus assume em Apocalipse, afirmando sua divindade. Hebreus 12:2 chama Jesus de “autor e consumador da fé”. E em Filipenses 1:6, Paulo assegura que “aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus”.
Diante disso, a pergunta crucial não é decifrar símbolos ou prever o fim, mas: “Como devemos viver?”. A resposta é clara, somos chamados à fidelidade diária, à justiça, à santidade e à obra do Reino (Mateus 6:33; Lucas 12:35-48). A verdadeira profecia bíblica tem conteúdo ético – um chamado à ação, não mera previsão. Quando Cristo voltar, que nos encontre trabalhando, amando e testemunhando.
Em um mundo ainda marcado por perseguições, incertezas e mudanças rápidas – como o de João em Patmos –, Jesus permanece o Alfa e o Ômega. Ele é o início de nossa fé, o sustentador em meio à tempestade e o fim glorioso de nossa esperança. Que essa verdade nos impulsione a viver “no Espírito no dia do Senhor”, afinados no aspecto central da graça de Cristo.
Amém!

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