…EU SOU REI (Jo 18:37)
Os judeus do primeiro século aguardavam um messias político-libertador que os libertasse do jugo romano e restabelecesse o reino de Israel em seu esplendor davídico. Este entendimento limitado fez com que muitos não reconhecessem Jesus como o Messias prometido, pois Ele não correspondia às suas expectativas terrenas. Quando Jesus multiplica os pães, as multidões querem fazê-Lo rei à força (João 6:15), mas Ele se retira, rejeitando explicitamente este tipo de aclamção política. Sua missão era infinitamente mais profunda - não libertar um povo de um opressor temporal, mas libertar a humanidade da escravidão do pecado e da morte.
A natureza do reino de Jesus se revela paradoxal aos olhos do mundo. Enquanto os reis terrestres se assentam em tronos de ouro e ostentam poder, o Rei dos reis nasce numa manjedoura, vive sem possuir "onde reclinar a cabeça" (Mateus 8:20) e entra em Jerusalém montado num jumentinho - um símbolo de humildade e paz, não de poder militar. Seu trono seria uma cruz, sua coroa seria de espinhos, e seu momento de maior glória seria aparentemente sua maior humilhação. Este paradoxo fundamental desconcerta a lógica mundana e revela que Seu reino opera sob valores radicalmente diferentes.
O reino que Jesus veio estabelecer possui características distintivas que o diferenciam dos reinos políticos: Sua origem é celestial, não terrena - Jesus declara: "O meu reino não é deste mundo", indicando uma procedência divina. Enquanto os reinos humanos surgem através de conquistas, alianças políticas e estratégias militares, o reino de Cristo emana diretamente de Deus e se estabelece nos corações pela transformação espiritual.
Seu método é a conversão interior, não a imposição externa- Os reinos terrestres governam através de leis, exércitos e estruturas de coerção. O reino de Cristo, porém, avança silenciosamente através da transformação interior, da conversão do coração e da aceitação voluntária de seu senhorio. Como afirmou Paulo: "O reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo" (Romanos 14:17).
Seu alcance é universal, não nacional- Enquanto os reinos políticos estão limitados por fronteiras geográficas e identidades étnicas, o reino de Cristo transcende todas as barreiras, destinando-se a toda a humanidade. A grande comissão de Jesus - "ide e fazei discípulos de todas as nações" (Mateus 28:19) - confirma a natureza universal do seu reino espiritual.
Seu fundamento é o amor e o serviço, não o poder- Jesus redefine completamente o conceito de liderança: "Sabeis que os governantes das nações as dominam e os grandes as tiranizam. Entre vós não será assim; mas aquele que quiser ser grande entre vós, seja vosso servo" (Mateus 20:25-26). O poder no reino de Cristo se expressa através do serviço humilde e do amor sacrificial.
Logo no início de seu ministério, Jesus é tentado a estabelecer um reinado político. Satanás Lhe oferece "todos os reinos do mundo e a sua glória" (Mateus 4:8) em troca de adoração. Jesus rejeita firmemente esta proposta, confirmando que Seu reino não será construído através de compromissos com o poder mundano. Mais tarde, resiste consistentemente a todas as tentativas de ser coroado como rei terrestre, insistindo que Sua missão era outra.
A recusa de Jesus em aceitar o papel de messias político revela-se também em Sua resposta aos fariseus que Lhe perguntam sobre quando viria o reino de Deus: "O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque o reino de Deus está dentro de vós" (Lucas 17:20-21). Esta afirmação revolucionária desloca o reino do âmbito geográfico e político para o espaço interior da pessoa humana
A crucificação representa o ápice da rejeição de Jesus ao poder político convencional. Quando Pedro tenta defendê-Lo com a espada, Jesus o repreende: "Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão" (Mateu 26:52). Enquanto um líder político lutaria para preservar sua vida e poder, Jesus se entrega voluntariamente, demonstrando que Seu reino se estabelece através do sacrifício e do amor, não da força.
A ironia da placa "INRI" (Jesus Nazareno, Rei dos Judeus) colocada na cruz por Pilatos revela-se profundamente significativa: o que era entendido como zombaria converteu-se em declaração profética. Jesus é verdadeiramente rei, mas de um modo que transcende completamente a compreensão de Pilatos e dos religiosos que O condenaram.
Diferente dos reinos políticos que surgem e caem, o reino de Cristo é eterno. O profeta Daniel já havia vislumbrado esta verdade ao anunciar: "Foi-Lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas O servissem; o Seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o Seu reino tal, que não será destruído" (Daniel 7:14). Esta eternidade contrasta radicalmente com a transitoriedade dos impérios terrestres.
A ressurreição confirma definitivamente a natureza eterna do reinado de Cristo. Enquanto os governantes terrestres morrem e seus reinos eventualmente desaparecem, Jesus vence a morte e estabelece um reino que nunca terá fim. Sua declaração "É-me dado todo o poder no céu e na terra" (Mateus 28:18) após a ressurreição afirma Sua autoridade universal e eterna.
Compreender que Jesus é rei espiritual e não político tem profundas implicações para os cristãos hoje. Significa que nossa lealdade primordial é ao Seu reino, que transcende todas as afiliações políticas partidárias. Enquanto os cristãos podem e devem participar responsavelmente da vida política, precisam evitar a tentação de identificar o reino de Deus com qualquer projeto político, ideologia ou nação terrestre.
A missão da Igreja não é conquistar o poder político, mas proclamar o senhorio de Cristo e viver os valores do Seu reino - justiça, misericórdia, paz e amor - em meio ao mundo. O poder transformador do reino espiritual de Jesus manifesta-se não através de decretos governamentais, mas através de vidas transformadas que reflectem o caráter do Rei.
Jesus Cristo não é um rei político, mas o Rei espiritual e eterno cujo reino não tem fronteiras geográficas, não depende de exércitos terrestres e não será abalado pelas convulsões da história humana. Seu reinado estabelece-se nos corações pela fé, expande-se pelo testemunho e amor, e consumar-se-á quando "todo joelho se dobre" e "toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor" (Filipenses 2:10-11). Reconhecer Jesus como Rei espiritual significa render-Lhe nossa obediência incondicional, confiar em Seu governo soberano sobre todas as circunstâncias e viver como cidadãos do Seu reino eterno, mesmo enquanto peregrinamos neste mundo passageiro. Ele quer conquistar nosso coração.
Portanto, Jesus não é rei político; é o Rei dos Reis, cuja coroa foi de espinhos, trono a cruz, e vitória a ressurreição. Seu reino não é deste mundo, mas invade-o com graça transformadora. Ele não derruba governos por força, mas corações por verdade. Em uma era de polarização, onde “reis” ideológicos prometem utopias, ouçamos sua voz. Todo aquele da verdade o segue. Que ele reine em nós, não como ditador, mas como Salvador amoroso. Assim, encontramos identidade verdadeira: filhos do Rei eterno. Todo aquele que reconhece essa verdade do Reino eterno e amoroso de Cristo, será salvo e reinará com Ele eternamente: “Quem crer e for Batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado. Marcos 16:16.
Glória a Deus, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Amém.

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