A PRESSA É INIMIGA DA PERFEIÇÃO?
A famosa frase "a pressa é inimiga da perfeição" é amplamente atribuída ao jurista e político brasileiro Rui Barbosa. Ele teria cunhado essa expressão ao comentar a redação apressada do Código Civil Brasileiro no final do século XIX, reforçando posteriormente a ideia de que a pressa gera tumulto e erros. A frase é frequentemente acompanhada ou comparada ao ditado latino Festina lente, que significa "apressa-te devagar", incentivando a eficiência com cuidado
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Há no ser humano uma tendência quase inata à pressa, especialmente quando a alma está sitiada pela aflição. Nos momentos de angústia, quando as forças se esgotam e o horizonte parece fechado, erguemos nossos olhos e clamamos por socorro. Queremos uma resposta imediata, uma solução que apague o fogo da tribulação com a rapidez de um piscar de olhos. Queremos o "hoje, agora" que a inocência infantil exclama, esquecidos de que, na vida adulta, os processos da existência não se submetem ao nosso relógio emocional.
Essa reflexão sobre o tempo e a essência do bem (paciência) e do mal (pressa/impaciência) condensa a filosofia presente na obra-prima, Grande Sertão:Veredas, de Guimarães Rosa. Com a sabedoria profunda do sertão, nos lembra que "Deus é paciência". Esta máxima encerra um mistério muitas vezes difícil de aceitar: o tempo de Deus não é o nosso tempo. E quando Deus parece demorar, nosso coração inquieto logo interpreta o silêncio como abandono ou indiferença. É claro que Deus sabe todas as coisas e pode agir com a pressa necessária se preciso, mas isso se for para o nosso bem. Alguns adultos, não atendidosimediatamente, agem como crianças que batem os pés querendo tudo na hora, mesmo sem ser possível, ou necessário. reagem com frustração, ansiedade e, por vezes, com uma fé que cambaleia. Isso é como dizia minha filha, quando criança, e me pedia alguma coisa e falava quero hoje agora.
No entanto, a própria criação nos ensina sobre o valor do tempo justo. Um ser humano não é formado em um dia; são necessários nove meses de gestação, anos de aprendizado, quedas e levantes para que se torne um adulto. Assim também é o trato de Deus conosco. O maná no deserto, provisão diária e fiel, não podia ser acumulado — lição dura para quem deseja estocar segurança para o futuro, mas lição necessária para aprender a confiar no provedor, não apenas na provisão.
Davi, homem segundo o coração de Deus, experimentou essa espera angustiante. No Salmo 13, suas palavras iniciais são um lamento: "Até quando, Senhor?" Ele sentia a demora, a ausência aparente. Mas a beleza de sua fé não está na ausência da dúvida, mas na decisão de confiar apesar dela. Seu clamor termina com um "mas": "Mas eu confio na tua benignidade". É nesse "mas" que reside a maturidade espiritual — a escolha de acreditar que a bondade divina não falha, mesmo quando nossos olhos não veem.
Deus não age por excessos desordenados que nos mimam, nem por escassez negligente que nos desampara. Há uma porção exata para cada estação. José do Egito esperou anos entre o sonho e o seu cumprimento, passando por fossos e prisões. Noé trabalhou por décadas construindo uma arca em terra seca, confiando numa promessa de chuva que ainda não se via. Todos eles enfrentaram o dilema da espera e venceram pela fé.
Provérbios 24:27 nos aconselha a preparar primeiro a lavoura, para depois constituir família: “Termine primeiro o seu trabalho a céu aberto; deixe pronta a sua lavoura. Depois constitua família. Provérbios 24:27. A "lavoura" ou "campo" representa o trabalho, o sustento e a estabilidade econômica. A "casa" representa o casamento e a família. O provérbio ensina que se deve ter condições de sustentar a família antes de se casar, evitando dificuldades desnecessárias.
Há uma ordem, um tempo de preparo. Querer os frutos sem plantar, querer a colheita sem o cultivo, é desejar uma bênção para a qual ainda não estamos prontos. A demora de Deus, tantas vezes, não é atraso, mas preparação. Ele sabe o momento em que estamos prontos para receber o que pedimos sem que isso nos destrua.
Que possamos, na hora da angústia, lembrar que a pressa é filha da ansiedade, mas a paciência é irmã da confiança. E que, como Davi, mesmo sentindo a demora, possamos declarar: "Mas eu confio". Pois Deus, em seu amor sábio, nunca se atrasa. Ele apenas capricha no preparo daqueles que ama, para que, quando a bênção chegar, ela encontre um coração maduro o suficiente para sustentá-la.
Amém!

