Jesus Ressuscitado: “Sou Eu Mesmo” (Lucas 24.39)
Um encontro que transforma dúvida em certeza, medo em paz e morte em vida eterna.

A realidade tangível da ressurreição física de Jesus, enfatizando Sua presença corporal com as feridas (mãos, pés, lado), contrastando-O com os fantasmas e abordando as dúvidas e o medo dos discípulos, oferecendo a certeza de Sua presença real, porém transformada, e conectando essa realidade à fé cristã, à paz e à vida eterna por meio de Sua vitória sobre a morte., com temas principais incluindo superar a dúvida, conhecer o Cristo Ressuscitado e a esperança da ressurreição para os crentes. 

Na tarde do primeiro dia da semana, os discípulos estavam reunidos, portas trancadas, corações acelerados. O rumor da ressurreição corria, mas parecia bom demais para ser verdade. De repente, o impossível aconteceu: “Estando fechadas as portas, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse: Paz seja convosco!” (Lc 24.36). O espanto foi imediato. Lucas registra que eles “ficaram perturbados e atemorizados, pensando que viam um espírito” (v. 37).

É exatamente nesse ponto de incredulidade e pavor que Jesus pronuncia as palavras mais consoladoras de toda a narrativa pascal: “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Lc 24.39).

1. Uma ressurreição corporal, não uma alucinação

Jesus não se contenta com palavras. Ele oferece evidência física. Mostra as mãos e os pés perfurados. Deixa que toquem as cicatrizes. E, para dissipar qualquer dúvida restante, pede algo para comer. Come um pedaço de peixe assado e um favo de mel diante deles (v. 42-43). Não é um fantasma. Não é uma visão espiritualista. É o mesmo Jesus que andou pelas estradas da Galileia, que multiplicou pães, que chorou diante do túmulo de Lázaro — agora vivo, com um corpo real, mas gloriosamente transformado.

Essa ênfase na corporeidade da ressurreição é decisiva. No século I, tanto os saduceus (que negavam a ressurreição) quanto muitos gregos influenciados pelo platonismo viam o corpo como prisão da alma. A ideia de que o corpo morto pudesse voltar à vida era escândalo para uns e loucura para outros (At 17.32). Mas o cristianismo primitivo nunca anunciou uma “ressurreição espiritual” ou a imortalidade da alma separada do corpo. Anunciou que Jesus ressuscitou — com carne e ossos — e que essa é a “primícia” da nossa própria ressurreição (1Co 15.20).

As cicatrizes permanecem. Isso é profundamente significativo. O corpo ressurreto de Jesus não é um corpo “novo em folha”, sem história. É o corpo que carregou nossos pecados no Calvário, agora glorificado. As marcas do sofrimento não foram apagadas; foram transformadas em troféus de vitória. Quando Tomé, uma semana depois, põe o dedo nas chagas e a mão no lado aberto, Jesus não o repreende pela dúvida, mas o convida ao toque da fé: “Não sejas incrédulo, mas crente” (Jo 20.27).

2. Dissipando o medo e a dúvida com a presença real

Os discípulos estavam com medo — medo dos judeus, medo da morte, medo de que tudo tivesse sido uma ilusão. Jesus entra no meio daquele medo e diz duas vezes: “Paz seja convosco”. A paz que Ele oferece não é ausência de problemas, mas presença d’Ele mesmo. A presença de Jesus Ressuscitado é mais forte que qualquer tranca, qualquer ameaça, qualquer túmulo.

A dúvida também estava lá. Lucas diz que mesmo depois de verem as mãos e os pés, “ainda não acreditavam de alegria, e estavam admirados” (v. 41). A ressurreição era grande demais para a mente humana assimilar de uma vez. Jesus não os censura. Pacientemente, Ele se deixa tocar, come diante deles, abre-lhes o entendimento para as Escrituras (v. 45). A fé pascal não nasce de uma demonstração irrefutável que elimina toda dúvida, mas do encontro pessoal com o Cristo vivo que se deixa conhecer.

Isso é consolador para nós hoje. Quantas vezes nossa fé vacila? Quantas vezes o sofrimento, a perda ou o silêncio de Deus nos fazem duvidar se Ele realmente venceu a morte? Jesus não nos pede uma fé cega. Ele se aproxima, mostra as marcas, fala ao coração, parte o pão da Escritura conosco no caminho de Emaús ou na sala trancada das nossas angústias. Ele ainda diz: “Sou eu mesmo. Não temais.”

3. O mesmo Jesus, gloriosamente transformado

“Sou eu mesmo.” Essa pequena frase é uma das mais belas da Bíblia. O Ressuscitado não é um Jesus diferente. É o mesmo que eles conheceram, amaram, traíram, abandonaram, viram morrer. As cicatrizes provam a continuidade. Ele não esqueceu os três anos de ministério, nem as promessas feitas. Continua sendo o Bom Pastor que conhece suas ovelhas pelo nome.

Mas agora Ele está transformado. O corpo ressurreto não está sujeito às mesmas limitações de antes: entra em recintos fechados, aparece e desaparece, mas também come e pode ser tocado. É o modelo do nosso futuro corpo de glória (Fl 3.21). A ressurreição não é um “retorno à vida normal”, mas a entrada na vida eterna, onde a morte já não tem a última palavra.

4. Aplicação para nossa vida hoje

Nós não tocamos as chagas de Jesus com as mãos físicas, mas o encontramos vivo de outras formas. Ele continua a dizer: “Isto é o meu corpo… isto é o meu sangue”. Na Palavra proclamada, Ele abre nosso entendimento. Na igreja reunida em seu nome, Ele está no meio de nós. Nos pobres, nos sofredores e marginalizados, Ele ainda carrega as marcas da cruz e nos convida a tocá-lo servindo-os.

A ressurreição de Jesus é a garantia de que nossa história pessoal não termina no túmulo. As cicatrizes que carregamos — físicas, emocionais, espirituais — não serão apagadas na eternidade; serão transformadas. O sofrimento não terá a última palavra. O amor terá.

Quando o medo nos paralisa, quando a dúvida nos assalta, quando a morte parece vencer, ouçamos novamente a voz de Jesus Ressuscitado: “Por que estais perturbados, e por que sobem dúvidas ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo.”

Ele vive. E porque Ele vive, nós também viveremos. Não como fantasmas, não como memórias, mas em corpo e alma glorificados, para sempre com o Senhor. Essa é a esperança cristã. Essa é a vitória que vence o mundo: a nossa fé no Cristo que morreu, que ressuscitou e que volta para nos levar para si.

“Sou eu mesmo.”
Palavras que dissipam todo medo.
Palavras que sustentam toda esperança.
Palavras que ecoam até o último dia:

Jesus está vivo. E está aqui.