Pregando para Transformar, Não para Agradar

Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Se ainda estivesse agradando a homens, não seria servo de Cristo.” — Gálatas 1:10

O compromisso com a verdade muitas vezes exige confrontar o erro, o que raramente é confortável para quem ouve. 


Há um momento silencioso que antecede toda pregação. É o instante em que o pregador, antes de abrir a boca, responde internamente a uma pergunta que ninguém ouve, mas que tudo define: Para quem estou prestes a falar? A resposta a essa pergunta determina não apenas o tom do sermão, mas sua natureza mais profunda, se será mensagem ou entretenimento, profecia ou performance.


Pregar não é uma arte de sedução. É um ato de entrega. Quem sobe ao púlpito carrega algo que não lhe pertence: a Palavra viva de Deus. E a tentação mais sutil, muito mais perigosa do que o pecado grosseiro, é dobrar essa Palavra ao gosto dos ouvintes, moldá-la ao formato do que é palatável, polir suas arestas para que não machuque ninguém. O resultado é uma mensagem que satisfaz a multidão, mas esvazia o céu.


O Pecado da Pregação Que Agrada

A história da igreja está marcada por pregadores que escolheram o aplauso em vez da verdade. O profeta Jeremias já denunciava em seu tempo o que chamou de profetas que “curam levianamente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz! quando não há paz” (Jeremias 6:14). Esses mensageiros não eram necessariamente desonestos por natureza, eram simplesmente covardes diante da pressão social. Eles sabiam o que o povo queria ouvir, e preferiram esse caminho mais fácil.


No século I, o apóstolo Paulo encontrou exatamente essa pressão em Galácia. Judaizantes exigiam que o evangelho fosse “completado” com observâncias da Lei, e havia pregadores dispostos a ceder. Paulo foi incisivo: “Se alguém vos prega outro evangelho… seja anátema” (Gálatas 1:8). Não havia espaço para negociação quando a essência da mensagem estava em jogo. Paulo sabia que um evangelho adaptado para agradar não era mais evangelho,  era adulação vestida de religião.


João Batista: O Profeta Sem Medo da Morte

O exemplo mais radical do Novo Testamento é João Batista. Pregando no deserto, ele não suavizou sua mensagem para atrair multidões, e ainda assim as multidões vinham. Quando os fariseus e saduceus apareceram para se batizar, João não os recebeu com elogios: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?” (Mateus 3:7). Era uma confrontação direta diante de líderes religiosos poderosos.


Mais tarde, quando o rei Herodes cometeu adultério ao tomar a esposa de seu irmão, João não se calou: “Não te é lícito tê-la” (Marcos 6:18). Essa frase custou-lhe a cabeça. João Batista morreu porque escolheu a verdade em vez de sua própria segurança. Seu ministério é o emblema eterno de que a pregação fiel pode ter um preço alto, e que esse preço vale ser pago.


Paulo em Atenas e Corinto: Verdade Sem Concessão

Em Atenas, Paulo poderia ter adaptado sua mensagem ao ambiente filosófico sofisticado, elogiando a cultura grega e omitindo a ressurreição, afinal foi exatamente esse o ponto que fez parte de seu auditório zombar (Atos 17:32). Mas Paulo pregou a ressurreição de Cristo sem hesitar. Muitos foram embora. Alguns creram. Paulo não mediu sucesso pelo tamanho do aplauso.


Em Corinto, enfrentou uma situação diferente: uma comunidade que valorizava a eloquência e a sabedoria retórica. Paulo, apesar de ser culto,  deliberadamente escolheu não usar essas ferramentas para impressionar: “E eu, irmãos, quando fui ter convosco, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria… A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder” (1 Coríntios 2:1,4). Ele sabia que a eloquência poderia ofuscar a cruz,  e a cruz era tudo.


Spurgeon e a Tentação da Galeria

No século XIX, Charles Haddon Spurgeon pregava para milhares no Metropolitan Tabernacle em Londres. Era um orador brilhante, mas sua grandeza não estava no talento, estava na recusa de comprometer a mensagem. Spurgeon disse certa vez: “Se você quer popularidade, pregue o homem; se quer impopularidade, pregue Cristo crucificado.” Ele entendia que havia uma diferença fundamental entre uma pregação que enche templos e uma pregação que transforma vidas.


Em seu tempo, a teologia liberal começava a ganhar espaço na Inglaterra. Spurgeon travou o que ficou conhecido como “Controvérsia do Downgrade”, um confronto público com denominações que diluíam doutrinas fundamentais. Pagou o preço com o isolamento institucional. Mas não recuou. A verdade, para ele, valia mais do que a aprovação eclesiástica.


A Verdade com Amor: Efésios 4:15

Dizer a verdade, porém, não é sinônimo de crueldade. Paulo ensina que devemos falar “a verdade em amor” (Efésios 4:15). Não há contradição aqui, há complementaridade. A verdade sem amor se torna martelo que destrói; o amor sem verdade se torna cumplicidade que abandona. O pregador que ama seus ouvintes diz o que precisa ser dito, mas com o coração voltado para a restauração, não para a humilhação.


Jesus é o modelo supremo. Ele disse à mulher samaritana que havia tido cinco maridos (João 4:18), uma verdade desconfortável, mas o fez de maneira que ela saiu daquela conversa transformada, não destruída. Disse às suas ovelhas coisas que “muitos dos seus discípulos” acharam “duras” (João 6:60), e muitos o abandonaram. Mesmo assim, Jesus não revogou a mensagem. Apenas perguntou aos doze: “Quereis vós também retirar-vos?” (João 6:67).


O Teste da Pregação Fiel

Uma pregação verdadeira não é medida pela emoção que provoca no momento, mas pela transformação que produz ao longo do tempo. Não é medida pelo número de elogios recebidos na porta da igreja, mas pelo número de vidas que mudaram de direção. A pregação que visa agradar produz entusiastas que evaporam na primeira tribulação; a pregação que visa a verdade produz discípulos que resistem.

O pregador fiel sabe que não é o dono da mensagem, é seu mordomo. E ao mordomo pede-se, acima de tudo, fidelidade (1 Coríntios 4:2). Ir à frente para pregar é aceitar essa responsabilidade solene: não a de impressionar, mas a de entregar sem adulteração o pão que nutre almas.


A púlpito não é palco. É altar. E no altar, o pregador não oferece o que o povo quer, oferece o que Deus diz. Ali não é um banco onde você vai sacar só a sua prosperidade, não é também um hospital onde você vai buscar a cura física, mas é uma agência de Deus aqui na terra e de nos transportar para a vida eterna onde estaremos completamente curados de todos os nossos males. Que o Senhor Deus nos ajude através do teu santo espírito para que possamos no abrir de nossas bocas, esses estejamos ministrando a salvação eterna conforme diz a tua palavra a Bíblia Sagrada.


O pregador fiel pode até ser rejeitado, mas terá a alegria de saber que sua mensagem pode gerar vida eterna. No final, como disse Paulo, “cada um receberá o seu louvor da parte de Deus” (1 Coríntios 4.5). E esse louvor vale infinitamente mais do que qualquer aprovação humana.

Que o Santo Espírito de Deus nos dê unção no abrir da nossa boca para falar das coisas de Deus, afim de que possamos ser bênçãos para livrar pessoas da Perdição eterna.

Obrigado Jesus.

Amém!