Deus é a fonte de todo conhecimento e sabedoria
Em tempos de avanços científicos acelerados, é possível ouvir que a ciência tornou Deus desnecessário. Para muitos, quanto mais o homem descobre, menos precisa do Criador. Essa visão, porém, não encontra respaldo na Escritura. A Bíblia não apenas reconhece o valor do conhecimento humano, como afirma categoricamente que é o próprio Deus quem concede ao homem a capacidade de conhecer, investigar e desenvolver ciência. A fé bíblica e a verdadeira ciência não são inimigas; ao contrário, caminham juntas quando corretamente compreendidas. Veja o que disse o cientista francês Louis Pasteur, "Um pouco de ciência nos afasta de Deus, muito, nos aproxima". Pasteur é conhecido por seus trabalhos em microbiologia e vacinas, expressando que a ciência superficial pode gerar dúvidas, mas um estudo mais profundo revela a complexidade e a beleza do universo, levando à admiração e à fé em um Criador. ( google.com).
A Escritura começa estabelecendo um fundamento essencial: Deus é o Criador de todas as coisas, inclusive da mente humana. Sendo assim, toda capacidade intelectual procede d’Ele. Provérbios 2:6 declara: “Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento.” O texto não deixa espaço para ambiguidade. O conhecimento não é fruto do acaso evolutivo nem resultado exclusivo do esforço humano, mas um dom concedido por Deus. Isso inclui tanto o saber moral quanto o intelectual e científico.
O livro de Daniel oferece um exemplo concreto dessa verdade. Daniel 1:17 afirma que “Deus deu àqueles jovens o conhecimento e a inteligência em todas as letras e sabedoria.” Note que o texto não se refere apenas à sabedoria espiritual, mas também ao domínio das “letras”, isto é, do conhecimento acadêmico de sua época. Portanto, a Bíblia reconhece que habilidades intelectuais específicas são dádivas divinas. Se Deus concede entendimento em áreas como administração, astronomia ou matemática, não há razão para negar sua ação na base do pensamento científico moderno.
Outro texto fundamental encontra-se em Êxodo 31:3–5, quando Deus diz ter enchido Bezalel “do Espírito de Deus, de sabedoria, de entendimento, de ciência e de todo artifício” para desenvolver técnicas avançadas de trabalho artesanal. Aqui vemos algo impressionante: a Bíblia associa ciência, criatividade, técnica e habilidade manual diretamente à ação do Espírito de Deus. Isso desmonta a falsa dicotomia entre espiritualidade e conhecimento técnico. Na cosmovisão bíblica, Deus não apenas inspira profetas, mas também capacita inventores, engenheiros e artistas.
Além de conceder capacidade intelectual, Deus também oferece um objeto legítimo de estudo científico: a própria criatividade. O Salmo 111:2 afirma: “Grandes são as obras do Senhor, e nelas meditam todos os que as apreciam.” A palavra “meditam” carrega a ideia de investigação cuidadosa. A criatividade consta de forma ordenada, inteligível e passível de estudo. A ciência só é possível porque o universo não é caótico, mas governado por leis estáveis. Leis estas estabelecidas por um Legislador supremo.
Jó 12:13 reforça esse ponto ao declarar: “Com Deus está a sabedoria e a força; ele tem conselho e entendimento.” Em outras palavras, o homem apenas descobre o que Deus já sabe. Toda lei científica é, em última instância, uma descrição da maneira como Deus sustenta e governa o cosmos. O cientista não cria a verdade; ele a reconhece. A ciência, portanto, não elimina Deus, mas revela Sua ordem, poder e inteligência.
Daniel 2:20–21 acrescenta que Deus “revela o profundo e o escondido”. Essa afirmação é crucial para uma apologética cristã. Muitos dos grandes avanços científicos ocorreram quando mistérios antes ocultos foram desvendados. A Bíblia afirma que tais revelações não acontecem à revelia de Deus, mas sob Sua permissão. O progresso científico não é uma rebelião bem-sucedida contra o Criador, mas parte do plano pelo qual Deus permite que o homem explore a criação.
No entanto, a Escritura também traz um alerta necessário. O conhecimento humano, quando desvinculado de Deus, torna-se fonte de soberba. O apóstolo Paulo adverte: “O conhecimento ensoberbece, mas o amor edifica” (1 Coríntios 8:1). A crítica bíblica não é contra o conhecimento em si, mas contra a ilusão de autonomia intelectual absoluta. Quando o homem passa a acreditar que a ciência explica tudo e que Deus é dispensável, ele não se torna mais sábio, mas mais arrogante.
Por isso, Provérbios 1:7 estabelece um princípio inegociável: “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento.” O termo “princípio” não significa apenas começo cronológico, mas fundamento. Fora desse alicerce, o conhecimento perde seu rumo ético e seu propósito. A ciência sem Deus pode avançar tecnicamente, mas retrocede moralmente.
Conclui-se, portanto, que a Bíblia não se opõe à ciência, mas oferece sua base mais sólida. Deus é a fonte da razão, o doador da inteligência, o revelador dos mistérios e o Criador de um universo ordenado e investigável. Negar Deus em nome da ciência é cortar o galho sobre o qual a própria ciência se sustenta. A fé cristã não teme o conhecimento; ela o contextualiza. Quanto mais o homem conhece, mais deveria reconhecer que “dele, por ele e para ele são todas as coisas” (Romanos 11:36).
Glória a Deus. Amém.

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