O AMOR É A ESSÊNCIA DO CRISTIANISMO.


 “Ao ouvirem dizer que Jesus havia deixado os saduceus sem resposta, os fariseus se reuniram. Um deles, perito na lei, o pôs à prova com esta pergunta: ― Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Jesus respondeu: ― “Ame ao Senhor, o seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todo o seu entendimento”. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: “Ame ao seu próximo como a você mesmo”. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”  Mateus 22:34-40 NVI



Devido ao fato de os mandamentos serem muitos, diz-se que seiscentos e treze, era muito difícil uma pessoa conhecer e mesmo obedecer todos eles. Não era possível em nossa forma humana manter todas essas leis. Então, os fariseus acharam que poderiam enganar Jesus. Quero dizer, como alguém poderia escolher apenas uma lei dos 613 mandamentos? Então, os fariseus esperavam deixar Jesus em dificuldade. Veja o que Tiago disse sobre isso: “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos”.  Tiago 2:10. Então, os fariseus acharam  que podiam enganar Jesus, para tanto, levaram “um interpréte da lei”. Pensavam, como alguém poderia escolher apenas uma lei de todos os  mandamentos? Só que a resposta de Jesus deixou-os desconcertados. 


Jesus não hesitou em apontar para o cerne da relação entre o ser humano, seu Criador e seus semelhantes. “‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’”, disse Ele, citando Deuteronômio 6:5. E, imediatamente, acrescentou um segundo mandamento, extraído de Levítico 19:18: “‘Ame o seu próximo como a si mesmo’”. Esses dois princípios, segundo Jesus, sustentam “toda a Lei e os Profetas.

Amar a Deus de todo o coração, alma e entendimento é um chamado à entrega total. O coração representa nossas emoções e desejos; a alma, nossa essência e vida interior; o entendimento, nossa mente e capacidade racional. Jesus nos convida a alinhar cada aspecto de nosso ser em direção a Deus. Esse amor não é superficial ou ocasional — ele exige devoção, prioridade e constância.

Nos relacionamentos humanos, esse amor a Deus tem implicações profundas. Quando amamos a Deus acima de tudo, nossas prioridades mudam. Não colocamos pessoas, posses ou ambições no lugar que pertence ao Senhor. Um esposo que ama a Deus de todo o coração, por exemplo, buscará tratar sua esposa com o amor sacrificial que reflete Cristo (Efésios 5:25). Uma mãe que ama a Deus com toda a alma ensinará seus filhos a andar nos caminhos do Senhor (Provérbios 22:6). Esse amor vertical — de nós para Deus — estabelece a base para o amor horizontal, entre nós e os outros.

O segundo mandamento, “ame o seu próximo como a si mesmo”, é inseparável do primeiro. Jesus o chama de “semelhante” ao amar a Deus, indicando que essas duas dimensões do amor estão intrinsecamente conectadas. Em 1 João 4:20, lemos: “Se alguém diz: ‘Eu amo a Deus’, mas odeia o seu irmão, é mentiroso”. O amor a Deus se manifesta no amor ao próximo, e o amor ao próximo reflete nossa devoção a Deus.

Mas quem é o “próximo”? A parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37) responde a essa pergunta com clareza. O próximo não é apenas o amigo, o familiar ou o vizinho de mesma fé — é qualquer pessoa que cruza nosso caminho, especialmente aqueles em necessidade. O samaritano, um estrangeiro desprezado pelos judeus, demonstra compaixão prática ao cuidar de um homem ferido. Jesus conclui: “Vá e faça o mesmo”. Assim, amar o próximo não é um sentimento abstrato, mas uma ação concreta.

Jesus afirma que “destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. Isso significa que o amor é o fio condutor que une todos os ensinamentos bíblicos. A Lei, com seus muitos preceitos, e os Profetas, com suas exortações à justiça e à misericórdia, encontram seu cumprimento no amor. Em Romanos 13:10, Paulo ecoa essa ideia: “O amor não faz mal ao próximo. Portanto, o amor é o cumprimento da Lei”.

Nos relacionamentos humanos, essa unidade nos ensina que não podemos compartimentar nossa fé. Não basta amar a Deus em oração e negligenciar o próximo em nossas ações. Da mesma forma, não podemos amar o próximo de forma superficial sem enraizar esse amor em nossa relação com Deus. Um exemplo prático disso é encontrado em Tiago 2:15-17, onde o apóstolo critica uma fé que vê a necessidade do irmão, mas não age: “A fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta”.

Como, então, vivemos esses mandamentos no dia a dia? Nos relacionamentos familiares, o amor a Deus nos leva a honrar os pais (Êxodo 20:12) e a criar os filhos na disciplina e instrução do Senhor (Efésios 6:4). Entre amigos, significa ser leal, encorajador e verdadeiro, como Provérbios 17:17 sugere: “O amigo ama em todos os momentos”. No casamento, o amor sacrificial e a submissão mútua (Efésios 5:21-33) refletem tanto devoção a Deus quanto cuidado pelo cônjuge.

Fora do círculo íntimo, o amor ao próximo nos chama a romper barreiras. Em um mundo marcado por divisões — raciais, sociais, políticas —, o mandamento de Jesus nos desafia a amar além das diferenças. A Igreja primitiva exemplificou isso ao unir judeus e gentios em uma só família (Gálatas 3:28). Hoje, isso pode significar acolher o estrangeiro, ajudar o necessitado ou simplesmente ouvir quem é ignorado.

Mateus 22:36-40 não é apenas uma resposta teológica a uma pergunta antiga; é um convite a uma vida transformada. Amar a Deus de todo o coração, alma e entendimento nos alinha com o propósito para o qual fomos criados. Amar o próximo como a nós mesmos nos torna agentes da graça de Deus no mundo. Juntos, esses mandamentos nos guiam a uma existência plena, onde o amor é a medida de todas as coisas.

Que possamos, como seguidores de Cristo, viver esse duplo amor com fidelidade. Que nossas orações a Deus sejam acompanhadas de mãos estendidas ao próximo. E que, em cada relacionamento humano, possamos refletir o amor daquele que nos amou primeiro (1 João 4:19), cumprindo assim a Lei e os Profetas, para a glória de Deus. Que o Senhor Espírito Santo nos capacite para essa gloriosa missão de amor a Deus e ao próximo.

Agradecemos-te Jesus pelo imensurável e sacrificial amor por nós.

Aleluia! Amém!